O Selo não garante a acessibilidade

Por: Horácio Soares.
Este artigo foi publicado originalmente em Internativa.com.brlink para um novo site (Junho 2005)


Segundo o decreto de lei 5296, até dezembro de 2005, os Sites da administração pública deverão estar acessíveis aos deficientes visuais. Atendendo a nova Lei, alguns portais do governo lançaram novas versões de seus Web Sites.

Selo de acessibilidade Da Silva - AAA

No mês de abril de 2005, em parceria com a ONG Acessibilidade Brasillink para um novo site, a Aneel – Agência Nacional de Energia Elétricalink para um novo site e a Justiça Federallink para um novo site, tornaram-se respectivamente, a primeira agência reguladora brasileira e o primeiro portal da Justiça Federal a adequarem seus Web Sites conforme as recomendações de acessibilidade do governo brasileirolink para um novo site. Ambos Sites obtiveram o selo de acessibilidade do avaliador Da Silvalink para um novo site, software desenvolvido pela Acessibilidade Brasil.

Programas avaliadores de acessibilidade são softwares que detectam o código HTML de uma página Web e fazem uma análise do seu conteúdo, normalmente baseados na Iniciativa de Acessibilidade na Web do W3Clink para um novo site. Dentro de um conjunto de regras, avaliam o nível de acessibilidade das páginas pesquisadas, produzindo relatórios detalhados segundo três níveis de prioridades listadas abaixo:

Prioridade 1 - Pontos que os criadores de conteúdo Web devem satisfazer inteiramente. Se não o fizerem, um ou mais grupos de usuários ficarão impossibilitados de acessar as informações contidas no documento*.

Prioridade 2 - Pontos que os criadores de conteúdos na Web deveriam satisfazer. Se não o fizerem, um ou mais grupos de usuários terão dificuldades em acessar as informações contidas no documento*.

Prioridade 3 - Pontos que os criadores de conteúdos na Web podem satisfazer. Se não o fizerem, um ou mais grupos poderão se deparar com algumas dificuldades em acessar informações contidas nos documentos*.

* Recomendações para a acessibilidade do conteúdo da Web - 1.0link para um novo site, versão traduzida para o português de Web Content Accessibility Guidelines 1.0link para um novo site, do W3Clink para um novo site.

Testando ambos portais no avaliador "Da Silva", obtive os seguintes relatórios:

O site da ANEEL foi aprovado sem erros. O relatório listou nove avisos sobre itens de prioridade 1 com 451 casos verificados, catorze avisos de prioridade 2 com 403 casos e onze avisos de prioridade 3 com 788 casos. Os avisos são verificações/recomendações feitas pelo avaliador em função da impossibilidade destes softwares testarem e assegurarem a acessibilidade em muitos itens. Como por exemplo: a identificação clara do destino de cada link, a utilização da linguagem mais clara e simples possível ou ainda, assegurar que todas as informações veiculadas com cor estejam também disponíveis sem cor. Os avisos devem ser verificados manualmente pelo desenvolvedor Web para garantir a acessibilidade do Site.

O site da Justiça Federal não foi aprovado pelo "Da Silva” por apenas um erro de prioridade 3. O relatório listou doze avisos de prioridade 1 com 507 casos verificados, seis avisos de prioridade 2 com 65 casos e oito avisos de prioridade 3 com 419 casos.

Obs.: Como o portal da Justiça utiliza uma inexplicável estrutura de frames logo na Home, capturei a URL principal para fazer o teste:

http://www.justicafederal.gov.br/sysportal_desenv/publicacao/inicial.wsplink para um novo site

Os avaliadores são ferramentas úteis durante o processo de desenvolvimento de Web Sites acessíveis. Estes softwares ajudam o Webdesign/desenvolvedor, a encontrar erros e esquecimentos, apontando com exemplos, como acertar os itens listados.

Apesar de úteis, não são perfeitos e muito menos inteligentes. Os selos de acessibilidade fornecidos por estes softwares não são garantia de acessibilidade. Do mesmo modo que a falta do selo, não impede que um determinado Site seja acessível.

Os portais da Aneel e Justiça Federal, aplicaram as regras de acessibilidade para atender as exigências do avaliador de acessibilidade e obtiveram o selo. De acordo com a lei, estão acessíveis, mas quando fazemos uma análise sobre a usabilidade, navegabilidade e acessibilidade destes portais, percebemos que ainda não estão totalmente acessíveis e possuem diversos erros que impossibilitam e dificultam o acesso a algumas informações.

Observando mais atentamente os portais, percebemos claramente que seus objetivos não eram de prover acessibilidade, e sim, a validação de seus Web Sites pelo avaliador Da Silva.

Fiz uma lista dos erros de acessibilidade que encontrei nas Home-pages, entre os dias 10 e 11 de maio de 2005. Vejamos alguns erros encontrados em ambos os sites:

Seguindo as recomendações da iniciativa de acessibilidade da W3Clink para um novo site, quando utilizamos uma função JavaScript em uma página HTML, devemos incluir o tag “noscript” acompanhado de informação equivalente a fornecida pela função.

Na Home da Aneellink para um novo site, temos uma função JavaScript que abre uma janela do tipo PopUp, que são aquelas janelinhas nada amigáveis e acessíveis, que pipocam na tela sem pedir passagem. Acompanhado da função, eles utilizaram o tag noscript para atender a verificação dos avaliadores conforme descrevo abaixo:

<noscript>
   Esse script abre uma janela pop-up para o usuário.
</noscript>

Qual é a relevância da informação que está entre os tags noscript? Nenhuma, simplesmente não fornece acesso à informação contida na nova janela.

O mesmo acontece no site da Justiça Federal, só que a solução encontrada para validar as funções em JavaScript, foi ainda pior. Eles simplesmente aplicaram o tag sem nenhum conteúdo entre sua abertura e fechamento. Exemplo:

<noscript> </noscript>

Aplicaram o tag para atender as regras de acessibilidade, mas não tornaram o script acessível com a disponibilização de conteúdo alternativo.

é a mesma coisa que colocar uma cabine da polícia em uma praça pública e não designar nenhum policial para administrá-la. Não serve para nada!

Outro erro comum aos dois projetos, foi a aplicação de pequenos links com texto do tipo “Leia Mais”, logo após as chamadas para notícias. Ambos portais recorrem a está antiga técnica, pouco acessível, logo em suas páginas de entrada.

Os deficientes visuais acessam a Internet com programas chamados “Ledores de Tela” ou screanreaders. Normalmente navegam nos Sites utilizando apenas o teclado, não usam mouse nem monitor. Através das teclas TAB, setas e teclas de atalho, acessam os links, campos de formulário e textos contidos na página.

Quando um deficiente utilizar a tecla TAB para navegar através dos links das home-pages da ANEELlink para um novo site e Justiça Federallink para um novo site, em um determinado trecho da página, receberão mensagens inteligíveis e repetidas. Na Home da ANEEL, repetidas mensagens de “leia mais”. Leia mais o que? Na Home da Justiça Federal, ainda tentaram tornar os links mais acessíveis colocando a propriedade “TITLE” no tagA”, mas aplicaram um valor que não resolveu muita coisa. Neste caso, as repetidas mensagens foram: “Leia mais sobre esse texto em destaque”. Um pouco diferente do “leia mais”, mas ainda pouco acessível e até mais verborrágico.

Vejamos alguns dos erros encontrados somente na Home da Aneel:

- Logo no início da página, seguindo uma padronização governamental, o portal disponibiliza um menu do tipo select com uma lista com links para sites do governo brasileiro. Quando alguma das opções e selecionada, automaticamente é aberta uma nova janela do navegador com o site escolhido utilizando uma função JavaScript. Isto me levou a fazer algumas perguntas:

Na falta de um dispositivo que entenda JavaScript, conseguirei utilizar o menu? Não!

Se eu tiver algum problema de coordenação motora, ou se não tiver experiência no uso do mouse, ou ainda, se o meu mouse estiver sujo, conseguirei utilizar adequadamente o menu? Não!

Eles fizeram algum tipo de teste de usabilidade antes de lançarem suas novas versões? Não!

Será que o menu poderia ser um pouco mais acessível? Sim, muito mais acessível! Bastaria tirar as funções JavaScript, colocar um botão de interação para confirmar a opção selecionada e aplicar uma propriedade TITLE no tag SELECT com um valor que explicaque de forma simples, o objetivo do menu.

- O menu principal do portal tem um botão que serve para esconder e mostrar o menu, algo como um botão de liga e desliga. Esse tipo de evento além de não ter utilidade nenhuma, pode confundir e atrapalhar alguns usuários. O excesso de código necessário para realizar a tarefa de liga/desliga, faz com que a página fique ainda mais lenta.

- Disponibilização de um gif animado (imagem animada quadro a quadro no formato GIF dando a impressão de movimento), para divulgar o novo 0800 da ANEEL. Até aí tudo bem, só que na hora de aplicar um texto alternativo na imagem para torná-la acessível, colocaram apenas “0800 da ANEEL”. Saber que a ANEEL tem um 0800 não adianta muita coisa quando não se tem acesso ao número, vocês não acham?

- O link para o código de ética está apontando diretamente para um arquivo PDF. Navegando pela Internet, ao clicar em um link, o internauta espera ser levado para uma outra página HTML, e não iniciar o download/abertura de um arquivo com formato e tamanho desconhecidos. Quando isso ocorrer, eles devem ser avisados com indicação adequada e prévia. Não podemos esquecer que muitas pessoas utilizam internet sem banda larga e que o PDF, ainda não é um formato muito acessível.

- Diversos links para siglas desconhecidas pela maioria dos internautas, como por exemplo: ATLAS, WAP, ARIAE 2000 e ABAR. Tirando a sigla WAP que corresponde a Wireless Application Protocol (protocolo para aplicações sem fio), eu não faço a menor idéia do que sejam as outras siglas.

- Junto com a chamada para notícias, tem uma imagem com link que não tem alternativo em texto aplicado nem título para o link. Aplicaram na imagem a propriedade ALT com valor nulo e não utilizaram a propriedade TITLE para tornar o link acessível.

<a href="/arquivos/PDF/boletim174.htm#texto1">
      <img src="/imagens/Banner_fiscal_01.jpg" 
      border="0" height="102" width="149" alt=" ">
</a>

Vejamos agora alguns dos erros encontrados na Home da Justiça Federal:

- Não aplicaram um título logo na página de entrada do site. A tag “TITLE” está lá, mas sem nenhum conteúdo que identifique o Site. A primeira coisa que o “ledor de telas” lê ao carregar uma página, é o seu título. Ele também é importante para orientar o maior usuário cego da Web, o Googlelink para um novo site.

- Apesar de não utilizarem tabelas para diagramar o Web Site, não souberam adequar-se aos padrões Weblink para um novo site (Web Standards) corretamente. Acabaram trocando as aninhadas tabelas, por intermináveis DIVS. O objetivo principal dos padrões Web é a separação da informação da apresentação. A home-page da Justiça Federal mistura diversas vezes à apresentação com o conteúdo ao utilizarem estilos CSS inline, ou seja, estilos aplicados diretamente nos tags HTML.


Para enriquecer a análise dos portais, realizei testes com outros softwares, também disponíveis via Web, que testam e geram relatórios sobre a acessibilidade, velocidade do site, quantidade de conteúdo versus marcação HTML e validação do código das páginas Web.

A primeira ferramenta utilizada, foi outro analisador de acessibilidade, o software americano WebXACTlink para um novo site, ou Bobby como era conhecido.

Iniciei testando a Home da Aneel e o relatório do WebXact (Bobby) listou três erros de prioridade 2 com 7 casos encontrados e três erros de prioridade 3 com 115 casos. Na lista de avisos, onze de prioridade 1 com 114 casos encontrados, dezoito de prioridade 2 com 124 casos e nove de prioridade 3 com 9 casos.

Na Home da Justiça Federal o relatório apontou 3 erros de prioridade 2 com 9 casos encontrados e outros 3 erros de prioridade 3, com 66 casos. Na lista de avisos, 10 de prioridade 1 com 96 casos encontrados, 18 de prioridade 2 com 104 casos e 8 de prioridade 3 com 8 casos listados.

O WebXact listou nos portais erros de prioridade 2 e 3 não apontados pelo Da Silva. Esses erros criam dificuldades para os usuários acessarem as informações contidas no documento.

Continuei a análise aplicando testes com o software Web Site Optimizationlink para um novo site. Ele gera relatórios sobre a velocidade de download do site em diversos tipos de conexões. Também calcula o tamanho de cada um dos arquivos utilizados pelo site, como arquivos de folhas de estilos, JavaScript, flash, imagens, etc.

“Se a homepage for lenta, os usuários concluirão, com toda razão, que o restante do site será lento, e que será uma tortura utilizá-lo, o que os leverá a abandonar definitivamente o site”. Jackob Nielsen em seu livro Homepage Usabilidade – 50 Web Sites descontruídos.

Como resultado da análise, na Home da ANEEL em uma velocidade de conexão de 56K, a página demorou um total de 36 segundos para ser carregada. Na velocidade de 33,6K, quase um minuto.

Na Home da Justiça Federal, nas mesmas velocidades de 56k e 33,6k, a página de abertura demorou respectivamente 29 e 49 segundos para ser carregada. Uma performance melhor que o site da Aneel, porém ainda lenta, se considerarmos que a paciência dos usuários termina após alguns poucos segundos de espera. Segundo pesquisa, depois de 10 segundos de espera sem resultado, o internauta pode perder a concentração e resolver navegar em outros mares distantes e não mais retornar ao nosso site. Se tivessem aplicado corretamente os padrões Web, o portal da Justiça poderia melhorar bastante seu resultado e performance.

No artigo ”Melhorando o Desempenho e Acessibilidadelink para um novo site”, mostro os resultados de testes de stress realizados em um site com duas versões diferentes, uma antes e outra depois de aplicação dos padrões Web. Utilizei para os testes de stress a Ferramenta Rational Suite TestStudio. O resultado da aplicação dos padrões Web no site foi significativo.

A seguir, utilizei o serviço de validação de código (Markut Validation Servicelink para um novo site) do W3Clink para um novo site, que identifica o tipo de documento HTML/XHTML utilizado e testa se o código é valido segundo as suas normas. Um a um, os erros encontrados pelo software são identificados e localizados.

No portal da Justiça, o serviço de validação identificou o documento como HTML versão 4.01 Transitional. O resultado do teste foi negativo, a página não é valida HTML 4.01 e foram encontrados nada menos do que 198 erros em uma só página.

Na Aneel, o serviço identificou o documento como HTML versão 4.0. O resultado também foi negativo, a página testada não é valida como HTML 4.0 e foram listados 24 erros.

Validar ou não validar o código de suas páginas? Essa é a dúvida de muitos desenvolvedores Web. Jonas Galvez escreveu um excelente artigo sobre o assunto em seu blog (http://jonasgalvez.com/br/blog/2004-06/validacao).

Em um trecho do artigo, diz que:

“ ...Os browsers de hoje são liberais, tentam apresentar, da melhor forma possível, qualquer peça de HTML incorreta, muitas vezes de forma transparente para o usuário. Por essa comodidade, por esta complacência com o erro, desenvolvedores web não têm o mínimo de incentivo para validar suas páginas...”

Isto acontece, principalmente por culpa do IE (Internet Explorer) que é muito complacente com erros que podem comprometer a acessibilidade das páginas Web.O IE domina este mercado com cerca de 87% dos usuários de Internet segundo estatística de abril da Onestat.comlink para um novo site.

Páginas validadas são mais acessíveis aos diversos sistemas, navegadores, dispositivos e outros meios existentes. Interoperabilidade e portabilidade são questões importantes e devem ser levadas em conta.

Ainda testei os portais em um último software, o Get Content Sizelink para um novo site. Ele calcula a quantidade de conteúdo em comparação com a quantidade de marcação (código) HTML utilizada para formatar o documento. O software não leva em conta as imagens, arquivos scripts anexados e folhas de estilo em seu relatório. Simplesmente calcula a quantidade de marcação HTML utilizada para formatar o documento versus seu conteúdo.

Testando a Home da Aneel, obtive o seguinte resultado:

- Percentual de conteúdo em texto 5.8%

- Percentual de marcação HTML 94,2%

Não chegou a 6% de conteúdo em comparação com a quantidade de marcação utilizada.

No Site da Justiça o resultado foi um pouco melhor, a razão entre marcação e conteúdo chegou quase a 20% por 80%.

Qual deve ser a razão perfeita entre conteúdo e marcação HTML? 30 por 70, 50 por 50? Não existe resposta certa, mas sem sombras de dúvidas, uma razão um pouco mais equilibrada do que os 6 por 94 do site da Aneel. Agora podemos entender porque a sua página demora tanto para ser carregada.

Se tivesse aplicado os padrões Web (Web Standards) no lugar de usar muitas tabelas aninhadas para formatar o site, a razão entre ambos, estaria naturalmente mais equilibrada e a página muito mais leve.

A Justiça Federal apesar de não utilizar tabelas para formatar o seu layout, acabou trocando seis por meia dúzia ao encher a página com DIVs no lugar de tabelas o que acabou prejudicando seu resultado.

Como último teste, solicitei a um amigo deficiente visual e professor de HTML e acessibilidade em Websites, o Marco Antonio Queiroz, ex-programador do SERPRO, que avaliasse o nível de acessibilidade dos Sites em análise.

Na época em que solicitei a ajuda ao MAQ, como é conhecido na Internet, ele estava re-lançando seu livro Sopro no Corpolink para um novo site na XII Bienal do Rio de Janeiro.

Mesmo muito ocupado, ele fez uma breve análise somente do portal da Aneel que transcrevo abaixo:

  • O site está acessível, mas pouco planejado para a navegação de pessoas cegas;
  • Os accesskey (atalhos via teclado), não estão funcionando e nem as âncoras fazendo link para a mesma página;
  • Não consigo ir do menu para o conteúdo diretamente;
  • Não estou analisando o código por falta de tempo, mas a navegação não está otimizada, ou seja, navega-se muito para se chegar a um lugar pré-determinado;
  • O menu em flash está acessível, mas a Biblioteca Virtual ficou meio incompreensível devido a uns números que aparecem sem que eu entenda o por que?
  • Entrei no link "Consumidor de Energia" que demorou um tempo enorme para quem está com uma conecção a cabo e quando abriu, até chegar ao conteúdo principal da página, tive de navegar com o tab umas 38 vezes;
  • Dentro de um contexto geral, porém, o site é acessível. Eu diria apenas que não é planejado, que foi feito com regras de acessibilidade, mas não com lógica, e que, não foi testado por um cego, o que poderá ser feito com ajuda de colegas com minha deficiência entrarem na página.
  • Depois de aplicarem as regras de acessibilidade, deveriam retirar o mouse e monitor e tentar, via teclado, chegar aos conteúdos dos menus. Só se colocando na nossa pele, da-se conta da situação real.
  • Eu diria, enfim, que está bom para um site do governo, pois a maioria é de deixar qualquer cego louco e com mais um motivo para reclamar do governo!

Ao fazer um balanço dos resultados dos testes aplicados nos portais Aneel e Justiça Federal, analisando as listas de erros de acessibilidade e o depoimento do MAQ, cheguei as seguintes conclusões:

  • O objetivo de ambos portais não era prover acessibilidade, e sim, aprovar suas páginas no avaliador Da Silva, e desta forma, ficar em complacência com as normas de acessibilidade do governo eletrônico;
  • Quando comparamos o nível de acessibilidade dos sites da Aneel e da Justiça Federal com outros, podemos perceber claramente alguns avanços, até porque, como colocou o MAQ: “a maioria dos sites do governo são de deixar qualquer cego louco”;
  • Apesar do avanço, eles ainda apresentam diversos problemas de acessibilidade conforme listei no artigo, e ambos portais precisam ajustar seus objetivos e corrigir os erros;
  • Não foram aplicados testes de acessibilidade e usabilidade com os diferentes tipos de usuários, dispositivos, sistemas e navegadores;

Fiquei decepcionado com o resultado, mesmo estando as Homepages mais acessíveis frente a grande maioria dos portais governamentais. O objetivo principal dos portais era estar em conformidade com o Da Silva, e consequentemente, com as diretrizes de acessibilidade do governo. Acontece que estar em conformidade com a lei, não significa estar necessariamente acessível.

Perderam a oportunidade de fornecer democraticamente a informação, seja para quem for, independente de cultura, experiência, idade, deficiência, etc.

é importante que chamemos atenção agora, para que amanhã, todos os outros portais do governo não venham a seguir o caminho teoricamente mais curto, mais pouco acessível da Aneel e Justiça Federal. Caminho que inicialmente pode atender as diretrizes, mas não democratiza a informação.

Sugiro que se criemos um grupo independente para avaliar a acessibilidade dos Web Sites de administração pública. Desenvolvimento de uma metodologia participativa, não só para apontar os erros, mas para propor soluções acessíveis através de exemplos práticos e estudos de caso. Um grupo formado pela diversidade, com pesquisadores da academia, deficientes, desenvolvedores, Webdesigners e empresas públicas e privadas.

Quem se habilita?

Obs.: Os testes foram realizados durante o mês de maio de 2005 e quaisquer alterações nos portais pesquisados após esta data, não foram contempladas neste artigo.

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(acesso digital) - grupo de pesquisa em acessibilidade, usabilidade e padrões Web.

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