Afinal, o que é usabilidade?

Por: Frederick van Amstel.
Este artigo foi publicado originalmente em www.usabilidoido.com.brlink para um novo site (Setembro 2005)


Certa vez fui entrevistado pelo jornalista Marcio Oliverio do jornal Expositor Cristãolink para um novo site e o resultado foi uma explicação sobre Usabilidade que até um leigo no assunto pode entender.

Marcio: O que é usabilidade ?

Frederick: Usabilidade é sinônimo de facilidade de uso. Se um produto é fácil de usar, o usuário tem maior produtividade: aprende mais rápido a usar, memoriza as operações e comete menos erros.

M: Onde ela é aplicada ?

F: Sempre que houver uma interface, ou seja, um ponto de contato entre um ser humano e um objeto físico (ex: cafeteira) ou abstrato (ex: software), podemos observar a usabilidade que esse objeto oferece.

Historicamente, o termo usabilidade surgiu como uma ramificação da ergonomia voltada para às interfaces computacionais, mas acabou se difundindo para outras aplicações.

M: Como a usabilidade pode ajudar pessoas com necessidades especiais, terceira idade e problemas cognitivos?

F: Usabilidade é uma medida relativa. O mouse é fácil de usar, mas para quem? Uma trackball pode ser mais fácil de usar por quem tem deficiência motora ou sofre de LER. A interface ideal é aquela que está adaptada às necessidades de seus usuários. O usuário de terceira idade pode precisar de textos com letras maiores e o usuário com desvantagem cognitiva pode precisar de alguns textos de ajuda a mais.

M: Para qual tipo de empresa os testes são indicados?

F: Testar um novo produto é essencial em qualquer ocasião, mesmo que seja só para saber se deu certo ou não. é possível realizar testes sem nenhuma cerimônia, apenas observando um amigo ou colega de trabalho durante o uso. Com olhar crítico, é possível obter muitas idéias de melhorias para o produto dessa forma.

M: Qual o custo dos testes ?

F: Se a empresa puder contratar um consultor especializado, digamos à R$60 a hora, e alugar um laboratório de usabilidade por R$1.200, é possível obter resultados muito mais precisos. O consultor pode discernir melhor entre um problema para um usuário individual e para todos os demais, enquanto que o laboratório oferece infra-estrutura para observação do teste, captura e análise de dados.

M: As empresas costumam investir na usabilidade?

F: No Brasil, poucas empresas reconhecem o valor da usabilidade. A maioria prefere investir numa campanha publicitária que faça o produto parecer fácil do que realmente torná-lo fácil através do envolvimento do usuário durante seu projeto.

Acredito que isso seja consequência da visão míope do empresariado brasileiro que sobrevaloriza resultados a curto prazo. Ao invés de estabelecer uma relação duradoura com seus clientes oferecendo um produto ou serviço de alto nível, eles preferem obter o máximo de lucro no menor tempo possível. Em última análise, é fruto da consciência de elite predatória, que se estabeleceu nessas terras desde que os portugueses chegaram...

M: Como você enxerga o mercado de usabilidade no futuro?

F: O mercado de usabilidade, mesmo no Brasil, está em franca expansão. Especialmente no Sudeste, empresários antenados já perceberam que vale à pena investir nisso e estão contratando profissionais especializados e empresas de consultoria.

Meu medo é de que se estabeleça uma cultura de testes isolados ao invés de testes integrados à uma metodologia de projeto centrada no usuário. é muito mais importante estar em contato com o usuário desde o início do projeto do que somente testar se está fácil de usar quando o produto já está acabado e, portanto, mais difícil de ser alterado em virtude do teste.

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